sábado, 17 de novembro de 2012

"O Cavaleiro da Dinamarca"


O Cavaleiro da Dinamarca



O Cavaleiro da Dinamarca conta a história de um nobre dinamarquês que vivia naquele frio e gélido país do Norte da Europa. Numa noite de Natal, o Cavaleiro reunido com toda a sua família à volta da lareira, anunciou que tinha decidido partir em peregrinação até Jerusalém, na Terra Santa. A longa viagem, que começaria na primavera, não permitiria ao Cavaleiro passar o Natal seguinte, em casa. A mulher, os filhos e os criados, que muito o estimavam, ficaram muito tristes por essa longa ausência. Então, o Cavaleiro prometeu que, realizada a viagem, voltaria, dali a dois anos, a tempo da noite de Natal. O Cavaleiro partiu de barco.



Ao longo da sua viagem por várias terras, teve muitas experiências e aventuras, durante as quais lhe foram oferecidas riquezas e adquiriu conhecimento, ouvindo histórias e visitando lugares maravilhosos. Chegando a Jerusalém, rezou nos Jardim das Oliveiras, banhou-se nas margens do rio Jordão e passou a noite de Natal na gruta de Belém, demorando-se cerca de dois meses na Palestina. No regresso, conheceu um mercador de Veneza com quem fez amizade. Juntos visitaram as maravilhosas cidades do mar Mediterrâneo, entre as quais Jafa e Ravena, antes de chegarem a Veneza, onde


o Cavaleiro ficou hospedado, durante algum tempo, no palácio do mercador. O Cavaleiro deliciou-se com os muitos monumentos da linda cidade e com as mercadorias mais exóticas de todo o mundo que ali passavam. Um dia, num jantar entre amigos, o mercador contou-lhes a história de Jacob Orso e da sua pupila Vanina, com quem o tutor queria casar um dos seus familiares. Mas quis o destino que Vanina se apaixonasse, numa noite de lua cheia, por Guidobaldo, um capitão de um navio. Este, que passava de gôndola, vendo, durante algum tempo, Vanina pentear o seu longo cabelo dourado na varanda, elogiou-lhe a sua beleza. Em agradecimento, Vanina atirou-lhe o seu pente de marfim e, mais tarde, fugiram juntos num navio, rumo à felicidade. Passado alguns dias, o Cavaleiro decidiu partir e o mercador ofereceu-lhe um cavalo que o levou pelo Norte de Itália. Visitou Ferrara, Bolonha e Florença, onde



  
ficou hospedado em casa do banqueiro Averardo e onde escutou as maravilhosas histórias do pintor Giotto, do seu mestre Cimabué e a de Dante, e do amor deste por Beatriz, prematuramente falecida e que o poeta encontrou, em sonhos, no Paraíso.
Em seguida, o Cavaleiro tentou tomar um navio em Génova, mas ficou doente, antes de chegar a esta cidade, recolhendo-se num convento, onde foi tratado pelos monges com ervas e plantas naturais. Quando conseguiu chegar a Génova, já todos os barcos tinham partido.




O Cavaleiro decidiu então retomar, a cavalo, a sua viagem de regresso, em direção ao norte. Em Antuérpia, foi recebido por um banqueiro amigo de Averardo e, num jantar, conheceu um capitão que lhe mostrou três cofres: um, com pérolas, outro, com ouro, e outro, com pimenta, cofres trazidos de uma viagem da rota dos Portugueses pela África. No dia seguinte, o Cavaleiro, já muito atrasado, partiu a cavalo e, no dia 24 de dezembro, véspera de Natal, chegou à região onde ficava a sua casa. Aqueceu-se na casa de uns lenhadores, na floresta e, quando já estava a anoitecer, partiu com intenção de cumprir a sua promessa. Mas o escuro e a neve, que entretanto tinham caído, apagaram todos os trilhos dos caminhos e o Cavaleiro perdeu-se.


Numa noite escura, onde apenas se distinguiam os olhos dos lobos e se ouvia o som de um urso que se aproximava, o Cavaleiro pediu aos animais uma trégua, naquele dia santo, e eles afastaram-se. Por isso, o Cavaleiro fechou os olhos e rezou a Deus. Quando os abriu, viu ao longe uma claridade que pensou ser uma fogueira feita por algum lenhador. Mais animado, prosseguiu a viagem e, ao aproximar-se, verificou que a claridade, que se tornava cada vez mais intensa, iluminava tudo à sua volta. Foi, então, que o Cavaleiro deparou, muito surpreendido, com a sua casa e com o grande pinheiro do seu jardim iluminado, que os anjos tinham enfeitado com milhares de estrelas para lhe mostrar o caminho. Foi assim que nasceu a tradição do pinheiro de Natal, decorado e iluminado, que a família do Cavaleiro, em memória daquela ajuda divina, passou a fazer todos os anos. Da Dinamarca, este costume espalhou-se para o resto do mundo.


Mês de novembro, mês de Sophia


Mês de novembro, mês de Sophia




Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, em 6 de novembro de 1916, e faleceu em Lisboa, em 2 de julho de 2004. Pelo lado paterno, é de origem dinamarquesa. Vive a sua infância na Quinta do Campo Alegre, da qual diz ter sido "um território fabuloso com uma grande e rica família servida por uma criadagem numerosa". Influenciada pelo avô materno, Thomaz Mello Breyner, cedo começa a tomar contacto com os grandes escritores portugueses.
Os seus pais alugavam uma casa na praia da Granja para passar férias de verão. A Quinta do Campo Alegre e a casa da praia da Granja, voltada para o mar, estão omnipresentes na sua obra, pois ali passou uma infância feliz, uma adolescência e juventude muito sadias. Contudo, a casa da Granja destaca-se, pois a voz do mar, dos búzios, dos corais ficará para sempre gravada no seu coração e será a sua musa inspiradora.
Em 1947, já casada com Francisco Sousa Tavares, inscreve-se na Assembleia da Granja, frequentada pela elite cultural do Porto e por muitos espanhóis cultos. Do seu casamento nasceram cinco filhos, um dos quais o conhecido jornalista Miguel Sousa Tavares.
Instalada em Lisboa, matricula-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras. Apesar de não ter concluído o curso, contacta com a cultura clássica que muito a veio a influenciar.
Nascida e criada na velha aristocracia portuguesa, educada nos valores tradicionais da moral cristã, dirigente de movimentos universitários católicos, vem a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude política liberal, denunciando os falsos critérios do regime salazarista e os seus seguidores mais radicais. Em 1975, foi eleita para a Assembleia Constituinte pelo círculo do Porto numa lista do Partido Socialista, enquanto o seu marido navegava rumo ao Partido Social Democrata.
Dedicou especial atenção à literatura infanto-juvenil, e foi nos seus 5 filhos que  encontrou inspiração para escrever contos infantis. Motivos concretos e símbolos excecionais para cantar o amor e o trágico da vida foi-os buscar ao mar e aos pinhais que contemplou na Praia da Granja; com a sua formação helenística, encontrou evocações do passado para sugerir transformações do futuro; pela sua constante atenção aos problemas do homem e do mundo, criou uma literatura de empenhamento social e político, de compromisso com o seu tempo e de denúncia da injustiça e da opressão. Foi agraciada com o Prémio Camões em 1999. É um dos nomes maiores no panorama da poesia contemporânea portuguesa.

Alguma da sua bibliografia:



Obras poéticas: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral, (1950), No Tempo Dividido, (1954), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962) Geografia (1967), Dual (1972), Nome das Coisas (1977), Musa (1994), etc. Obras narrativas: O Cavaleiro da Dinamarca, Contos Exemplares, Histórias da Terra e do Mar, A Floresta, A Menina do Mar, O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana, etc.



"O Conto da Ilha Desconhecida" - Um conto feito para a Expo'98


Um Conto Feito Para a Expo’98



Com a realização da Feira Internacional da Expo’98 em Lisboa, em 1998, que trazia a temática dos oceanos, e as comemorações dos 500 anos dos descobrimentos marítimos portugueses, José Saramago presenteou-nos com O Conto da Ilha Desconhecida. Novamente vamos mergulhar no seu universo fantástico, crítico aguçado do sistema em que estamos inseridos. Surge-nos retratado um reino burocrático e de fantasia, onde um homem persegue o seu sonho e o seu ideal: encontrar a Ilha Desconhecida. Num discurso brilhante, a personagem convence o governo a dar-lhe um barco. Também convence algumas pessoas, entre elas a mulher da limpeza do reino, a acompanhá-lo nessa aventura quase utópica e sem destino:
“[…] Então o homem trancou a roda do leme e desceu ao campo com a foice na mão, e foi quando tinha cortado as primeiras espigas que viu uma sombra ao lado da sua sombra. Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele, confundidos os corpos, confundidos os beliches, que não se sabe se este é o de bombordo ou o de estibordo. Depois, mal o sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar a proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o nome que ainda faltava dar à caravela. Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.”
           Mas como todo sonho tem o seu preço, aos poucos o homem é abandonado por todos, só lhe fica a mulher. O autor revela-nos uma história não só de sonhos utópicos, mas também de amor. Com o homem parte a mulher da limpeza, os dois seguem na busca dos sonhos, o amor já o têm. A ilha desconhecida era o grande sonho português do fim do segundo milénio: o mergulho na Expo’98. Um sonho que fechava o século XX no universo histórico lusitano de uma forma espetacular, que rumava para o terceiro milénio a refletir um futuro que trouxesse de volta a época da grande aventura, a época dos descobrimentos, época que a nação sonhava com o Quinto Império. Com a Expo’98 vinha a segurança do reencontro de Portugal com a Europa. A esperança de um mercado único, de uma moeda única, de um futuro que espelhasse pouco o passado mais recente, do qual voltaram cidadãos desfeitos pela guerra colonial, física e mentalmente. É justamente o não esquecimento de uma história recente, nem sempre gloriosa, porque a história também é feita de erros e humilhações, que a obra de José Saramago muitas vezes atira-nos à cara. José Saramago conduziu neste conto os nossos sonhos rumo à ficção do século XXI.

Reflexões sobre o "Conto da Ilha Desconhecida" de José Saramago


O Conto da Ilha Desconhecida de José Saramago

          Resumo

Um homem quer falar com o rei para pedir-lhe um barco. O rei, após a insistência, dá-lho. A mulher da limpeza resolve sair do palácio do rei pela porta das decisões e juntar-se à tripulação do barco. Ela limpa o barco. Ele tenta em vão arranjar tripulantes. Todos acham que não há mais ilhas que não sejam conhecidas. À noite, eles vão dormir, cada um em seu beliche. O homem sonha que chegou à ilha desconhecida. Ele acorda ao lado da mulher. Eles pintam o nome do barco: ‘A Ilha Desconhecida’.

Reflexões

 O Conto da Ilha Desconhecida parte de duas ideias: a de que um barco é uma ilha, e a de que as pessoas são uma ilha. A ideia de uma ilha só faz sentido quando existe o mar; sem o mar, nenhuma ilha é ilha, ou seja, as ilhas não existiriam. Segundo Saramago, é preciso acreditar que ainda existem ilhas a serem descobertas, ainda que só se consiga chegar nela em sonho (ou seja, uma ilusão romântica). O curto livro gasta um bom tempo para que o leitor saiba que o rei é o tipo de pessoa que nunca buscaria uma ilha desconhecida. Talvez, para o escritor, o facto de pessoas poderosas NÃO quererem buscá-la seja tão importante quanto o facto de o homem querer buscá-la. Afinal, A Ilha desconhecida é a ilha, é o próprio barco, é o próprio processo de busca, é o prazer sereno de aventurar-se rumo ao desconhecido. Faltou, no entanto, que a ilha seja o próprio livro. Isso Saramago não frisou. A sua literatura poderia ser a própria ilha, esse próprio processo de busca. O título do livro poderia ser A Ilha Desconhecida. Então, lançar-se ao mar seria lançar-se à folha de papel em branco. Ao invés disso, preferiu intitular de O Conto da Ilha Desconhecida. Isso é tudo o que pode ser dito sobre o que o autor busca em sua literatura.

É para ilustrar a constante construção, a busca de completude, na qual o homem vive até o suspiro final, quando morre sem ter terminado de nascer, é essa grande angústia de não nos aceitarmos finitos, que Saramago cria a metáfora O Conto da Ilha Desconhecida (1998), onde um humilde súbdito de um reino, vai à porta das petições do palácio, persistentemente, requerer do rei, um barco para ir à procura de uma ilha desconhecida, para espanto do rei que afirmava não existirem ilhas desconhecidas, que estariam todas nos mapas. Por insistência e boa argumentação, o súbdito sai vitorioso com a conquista do barco, é então acompanhado pela mulher da limpeza, que cansada da monotonia, do quotidiano da sua existência, resolve acompanhar o aventureiro, saindo pela porta das decisões à procura da tal ilha desconhecida. Entendemos que, nessa obra, os personagens querem-se descobrir a si próprios, o sentido da sua existência, na imagem poética de uma ilha misteriosa, como são misteriosos os sonhos humanos, refletindo um anseio que é universal e que nos move desde os tempos mais remotos. É importante destacar, aqui, a exemplo de outras obras de Saramago, o tratamento dado à personagem feminina, no papel de força mediadora e profícua na realização significativa do processo de busca do autoconhecimento da personagem masculina, questionando e promovendo a reflexão sobre essa busca que é impossível de ser realizada isoladamente, mas requer uma disposição de viver junto, de pensar uma nova condição humana, envolta em princípios que caracterizam um novo ser: como a solidariedade, a confiança nos homens e o fazer constante para a transformação do individual para o coletivo, fundado numa ética humanista, que valoriza o estudo das relações do Eu em conformidade e ligação com os seus semelhantes, pois apenas dessa forma o homem pode realizar-se e ser feliz. Contrariando, assim, a ótica da modernidade, onde ser mais é ter mais, é ocupar o primeiro lugar, é usufruir do poder e do outro, manipulando-o, numa cegueira que impossibilita ver no outro a si mesmo. No Conto da Ilha Desconhecida, a dificuldade de visualizar e amar o invisível, de construir o novo a partir do lugar onde nos encontramos, conceção utópica de vida, que incita as ações humanas e impede a estagnação da história, impulsionando-nos a mantermos a esperança, é metaforizada no facto de mais ninguém, além da mulher da limpeza, ter concordado em fazer parte da tripulação na busca da ilha desconhecida. É cómodo viver o conhecido, o novo é assustador, é preciso ousadia para encarar o desconhecido, que às vezes somos nós mesmos… 

domingo, 28 de outubro de 2012

Concurso Nacional de Leitura - 2012/2013


 
Caros alunos do 3.º Ciclo,
este ano vamos participar no Concurso Nacional de Leitura, projeto que tem como intuito promover a leitura nas escolas de uma forma lúdica. Se quiseres participar, dirige-te ao teu /tua professor(a) de Português para saberes como o poderás fazer, ou então consulta o regulamento do concurso que se encontra disponível na Biblioteca Escolar ou  em
 
 
 
 
 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012


 
Outubro - mês internacional da Biblioteca Escolar

O mês de outubro é o Mês Internacional da Biblioteca Escolar, este ano dedicado ao tema "Biblioteca escolar: uma chave para o passado, presente e futuro".

"Uma chave para o passado, porque sem memória e transmissão do conhecimento seria impossível receber a herança e património de saberes, que hoje nos identifica a todos; uma chave para o presente, porque só através do domínio da informação e gestão do conhecimento, que configuram a nossa era, podemos dar continuidade a esse legado, enriquecê-lo e projetá-lo no tempo; uma chave para o futuro, porque este dependerá sempre da ação, expectativas e capacidade de gerir as mudanças com que o desejamos tecer.


As bibliotecas são uma das criações humanas que melhor cumprem este desígnio, de perpetuar, gerar e promover o conhecimento, no sentido de uma sociedade mais culta e instruída. A importância particular das bibliotecas no campo educativo faz delas uma das chaves maiores deste desígnio." (site da RBE)
 
A mudança do Dia Internacional da Biblioteca Escolar para o Mês Internacional da Biblioteca Escolar foi aprovada pela International Association of School Librarianship (IASL) em janeiro de 2008, devido à importância que esta efeméride foi assumindo em diferentes países. O seu objetivo é chamar a atenção para a importância das bibliotecas escolares na educação e na formação dos cidadãos do presente e do futuro, respeitando o nosso património cultural. De acordo com os objetivos delineados pela IASL, a Rede de Bibliotecas Escolares declara o dia 22 de outubro como o "Dia da biblioteca escolar".

Oficinas de Leitura


Oficinas de Leitura
 

Aos alunos do 7.º Ano
 
Caros alunos,
 
este ano letivo vamos estudar a obra de Agustina Bessa-Luís, Dentes de Rato. Uma vez que a obra se encontra indisponível e a Biblioteca Escolar apenas dispõe de um exemplar, serão dinamizadas, sempre que possível, oficinas de leitura, visto que a leitura em grupo é um excelente meio de transformação, partilha e integração dos discentes. Estas oficinas de leitura permitirão não só desfrutar de agradáveis momentos, como também refletir sobre alguns temas do nosso quotidiano.
 
 

 Formar leitores é compromisso da família e da escola. Também deve fazer parte dos interesses de toda a comunidade, pois uma sociedade não letrada, ou mesmo formada por leitores funcionais, está fadada à condição de miséria e indignidade. Nunca a questão da formação de leitores foi tão discutida como nos dias atuais, até porque se entende que o desenvolvimento de uma nação depende do nível de cultura literária dos seus habitantes. Não existe país livre e desenvolvido sem investimentos na educação e na leitura.

 

(Cavalcanti, 2002: p.2)