sábado, 17 de novembro de 2012

Mês de novembro, mês de Sophia


Mês de novembro, mês de Sophia




Sophia de Mello Breyner Andresen nasceu no Porto, em 6 de novembro de 1916, e faleceu em Lisboa, em 2 de julho de 2004. Pelo lado paterno, é de origem dinamarquesa. Vive a sua infância na Quinta do Campo Alegre, da qual diz ter sido "um território fabuloso com uma grande e rica família servida por uma criadagem numerosa". Influenciada pelo avô materno, Thomaz Mello Breyner, cedo começa a tomar contacto com os grandes escritores portugueses.
Os seus pais alugavam uma casa na praia da Granja para passar férias de verão. A Quinta do Campo Alegre e a casa da praia da Granja, voltada para o mar, estão omnipresentes na sua obra, pois ali passou uma infância feliz, uma adolescência e juventude muito sadias. Contudo, a casa da Granja destaca-se, pois a voz do mar, dos búzios, dos corais ficará para sempre gravada no seu coração e será a sua musa inspiradora.
Em 1947, já casada com Francisco Sousa Tavares, inscreve-se na Assembleia da Granja, frequentada pela elite cultural do Porto e por muitos espanhóis cultos. Do seu casamento nasceram cinco filhos, um dos quais o conhecido jornalista Miguel Sousa Tavares.
Instalada em Lisboa, matricula-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras. Apesar de não ter concluído o curso, contacta com a cultura clássica que muito a veio a influenciar.
Nascida e criada na velha aristocracia portuguesa, educada nos valores tradicionais da moral cristã, dirigente de movimentos universitários católicos, vem a tornar-se uma das figuras mais representativas de uma atitude política liberal, denunciando os falsos critérios do regime salazarista e os seus seguidores mais radicais. Em 1975, foi eleita para a Assembleia Constituinte pelo círculo do Porto numa lista do Partido Socialista, enquanto o seu marido navegava rumo ao Partido Social Democrata.
Dedicou especial atenção à literatura infanto-juvenil, e foi nos seus 5 filhos que  encontrou inspiração para escrever contos infantis. Motivos concretos e símbolos excecionais para cantar o amor e o trágico da vida foi-os buscar ao mar e aos pinhais que contemplou na Praia da Granja; com a sua formação helenística, encontrou evocações do passado para sugerir transformações do futuro; pela sua constante atenção aos problemas do homem e do mundo, criou uma literatura de empenhamento social e político, de compromisso com o seu tempo e de denúncia da injustiça e da opressão. Foi agraciada com o Prémio Camões em 1999. É um dos nomes maiores no panorama da poesia contemporânea portuguesa.

Alguma da sua bibliografia:



Obras poéticas: Poesia (1944), Dia do Mar (1947), Coral, (1950), No Tempo Dividido, (1954), Mar Novo (1958), Livro Sexto (1962) Geografia (1967), Dual (1972), Nome das Coisas (1977), Musa (1994), etc. Obras narrativas: O Cavaleiro da Dinamarca, Contos Exemplares, Histórias da Terra e do Mar, A Floresta, A Menina do Mar, O Rapaz de Bronze, A Fada Oriana, etc.



"O Conto da Ilha Desconhecida" - Um conto feito para a Expo'98


Um Conto Feito Para a Expo’98



Com a realização da Feira Internacional da Expo’98 em Lisboa, em 1998, que trazia a temática dos oceanos, e as comemorações dos 500 anos dos descobrimentos marítimos portugueses, José Saramago presenteou-nos com O Conto da Ilha Desconhecida. Novamente vamos mergulhar no seu universo fantástico, crítico aguçado do sistema em que estamos inseridos. Surge-nos retratado um reino burocrático e de fantasia, onde um homem persegue o seu sonho e o seu ideal: encontrar a Ilha Desconhecida. Num discurso brilhante, a personagem convence o governo a dar-lhe um barco. Também convence algumas pessoas, entre elas a mulher da limpeza do reino, a acompanhá-lo nessa aventura quase utópica e sem destino:
“[…] Então o homem trancou a roda do leme e desceu ao campo com a foice na mão, e foi quando tinha cortado as primeiras espigas que viu uma sombra ao lado da sua sombra. Acordou abraçado à mulher da limpeza, e ela a ele, confundidos os corpos, confundidos os beliches, que não se sabe se este é o de bombordo ou o de estibordo. Depois, mal o sol acabou de nascer, o homem e a mulher foram pintar a proa do barco, de um lado e do outro, em letras brancas, o nome que ainda faltava dar à caravela. Pela hora do meio-dia, com a maré, A Ilha Desconhecida fez-se enfim ao mar, à procura de si mesma.”
           Mas como todo sonho tem o seu preço, aos poucos o homem é abandonado por todos, só lhe fica a mulher. O autor revela-nos uma história não só de sonhos utópicos, mas também de amor. Com o homem parte a mulher da limpeza, os dois seguem na busca dos sonhos, o amor já o têm. A ilha desconhecida era o grande sonho português do fim do segundo milénio: o mergulho na Expo’98. Um sonho que fechava o século XX no universo histórico lusitano de uma forma espetacular, que rumava para o terceiro milénio a refletir um futuro que trouxesse de volta a época da grande aventura, a época dos descobrimentos, época que a nação sonhava com o Quinto Império. Com a Expo’98 vinha a segurança do reencontro de Portugal com a Europa. A esperança de um mercado único, de uma moeda única, de um futuro que espelhasse pouco o passado mais recente, do qual voltaram cidadãos desfeitos pela guerra colonial, física e mentalmente. É justamente o não esquecimento de uma história recente, nem sempre gloriosa, porque a história também é feita de erros e humilhações, que a obra de José Saramago muitas vezes atira-nos à cara. José Saramago conduziu neste conto os nossos sonhos rumo à ficção do século XXI.

Reflexões sobre o "Conto da Ilha Desconhecida" de José Saramago


O Conto da Ilha Desconhecida de José Saramago

          Resumo

Um homem quer falar com o rei para pedir-lhe um barco. O rei, após a insistência, dá-lho. A mulher da limpeza resolve sair do palácio do rei pela porta das decisões e juntar-se à tripulação do barco. Ela limpa o barco. Ele tenta em vão arranjar tripulantes. Todos acham que não há mais ilhas que não sejam conhecidas. À noite, eles vão dormir, cada um em seu beliche. O homem sonha que chegou à ilha desconhecida. Ele acorda ao lado da mulher. Eles pintam o nome do barco: ‘A Ilha Desconhecida’.

Reflexões

 O Conto da Ilha Desconhecida parte de duas ideias: a de que um barco é uma ilha, e a de que as pessoas são uma ilha. A ideia de uma ilha só faz sentido quando existe o mar; sem o mar, nenhuma ilha é ilha, ou seja, as ilhas não existiriam. Segundo Saramago, é preciso acreditar que ainda existem ilhas a serem descobertas, ainda que só se consiga chegar nela em sonho (ou seja, uma ilusão romântica). O curto livro gasta um bom tempo para que o leitor saiba que o rei é o tipo de pessoa que nunca buscaria uma ilha desconhecida. Talvez, para o escritor, o facto de pessoas poderosas NÃO quererem buscá-la seja tão importante quanto o facto de o homem querer buscá-la. Afinal, A Ilha desconhecida é a ilha, é o próprio barco, é o próprio processo de busca, é o prazer sereno de aventurar-se rumo ao desconhecido. Faltou, no entanto, que a ilha seja o próprio livro. Isso Saramago não frisou. A sua literatura poderia ser a própria ilha, esse próprio processo de busca. O título do livro poderia ser A Ilha Desconhecida. Então, lançar-se ao mar seria lançar-se à folha de papel em branco. Ao invés disso, preferiu intitular de O Conto da Ilha Desconhecida. Isso é tudo o que pode ser dito sobre o que o autor busca em sua literatura.

É para ilustrar a constante construção, a busca de completude, na qual o homem vive até o suspiro final, quando morre sem ter terminado de nascer, é essa grande angústia de não nos aceitarmos finitos, que Saramago cria a metáfora O Conto da Ilha Desconhecida (1998), onde um humilde súbdito de um reino, vai à porta das petições do palácio, persistentemente, requerer do rei, um barco para ir à procura de uma ilha desconhecida, para espanto do rei que afirmava não existirem ilhas desconhecidas, que estariam todas nos mapas. Por insistência e boa argumentação, o súbdito sai vitorioso com a conquista do barco, é então acompanhado pela mulher da limpeza, que cansada da monotonia, do quotidiano da sua existência, resolve acompanhar o aventureiro, saindo pela porta das decisões à procura da tal ilha desconhecida. Entendemos que, nessa obra, os personagens querem-se descobrir a si próprios, o sentido da sua existência, na imagem poética de uma ilha misteriosa, como são misteriosos os sonhos humanos, refletindo um anseio que é universal e que nos move desde os tempos mais remotos. É importante destacar, aqui, a exemplo de outras obras de Saramago, o tratamento dado à personagem feminina, no papel de força mediadora e profícua na realização significativa do processo de busca do autoconhecimento da personagem masculina, questionando e promovendo a reflexão sobre essa busca que é impossível de ser realizada isoladamente, mas requer uma disposição de viver junto, de pensar uma nova condição humana, envolta em princípios que caracterizam um novo ser: como a solidariedade, a confiança nos homens e o fazer constante para a transformação do individual para o coletivo, fundado numa ética humanista, que valoriza o estudo das relações do Eu em conformidade e ligação com os seus semelhantes, pois apenas dessa forma o homem pode realizar-se e ser feliz. Contrariando, assim, a ótica da modernidade, onde ser mais é ter mais, é ocupar o primeiro lugar, é usufruir do poder e do outro, manipulando-o, numa cegueira que impossibilita ver no outro a si mesmo. No Conto da Ilha Desconhecida, a dificuldade de visualizar e amar o invisível, de construir o novo a partir do lugar onde nos encontramos, conceção utópica de vida, que incita as ações humanas e impede a estagnação da história, impulsionando-nos a mantermos a esperança, é metaforizada no facto de mais ninguém, além da mulher da limpeza, ter concordado em fazer parte da tripulação na busca da ilha desconhecida. É cómodo viver o conhecido, o novo é assustador, é preciso ousadia para encarar o desconhecido, que às vezes somos nós mesmos… 

domingo, 28 de outubro de 2012

Concurso Nacional de Leitura - 2012/2013


 
Caros alunos do 3.º Ciclo,
este ano vamos participar no Concurso Nacional de Leitura, projeto que tem como intuito promover a leitura nas escolas de uma forma lúdica. Se quiseres participar, dirige-te ao teu /tua professor(a) de Português para saberes como o poderás fazer, ou então consulta o regulamento do concurso que se encontra disponível na Biblioteca Escolar ou  em
 
 
 
 
 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012


 
Outubro - mês internacional da Biblioteca Escolar

O mês de outubro é o Mês Internacional da Biblioteca Escolar, este ano dedicado ao tema "Biblioteca escolar: uma chave para o passado, presente e futuro".

"Uma chave para o passado, porque sem memória e transmissão do conhecimento seria impossível receber a herança e património de saberes, que hoje nos identifica a todos; uma chave para o presente, porque só através do domínio da informação e gestão do conhecimento, que configuram a nossa era, podemos dar continuidade a esse legado, enriquecê-lo e projetá-lo no tempo; uma chave para o futuro, porque este dependerá sempre da ação, expectativas e capacidade de gerir as mudanças com que o desejamos tecer.


As bibliotecas são uma das criações humanas que melhor cumprem este desígnio, de perpetuar, gerar e promover o conhecimento, no sentido de uma sociedade mais culta e instruída. A importância particular das bibliotecas no campo educativo faz delas uma das chaves maiores deste desígnio." (site da RBE)
 
A mudança do Dia Internacional da Biblioteca Escolar para o Mês Internacional da Biblioteca Escolar foi aprovada pela International Association of School Librarianship (IASL) em janeiro de 2008, devido à importância que esta efeméride foi assumindo em diferentes países. O seu objetivo é chamar a atenção para a importância das bibliotecas escolares na educação e na formação dos cidadãos do presente e do futuro, respeitando o nosso património cultural. De acordo com os objetivos delineados pela IASL, a Rede de Bibliotecas Escolares declara o dia 22 de outubro como o "Dia da biblioteca escolar".

Oficinas de Leitura


Oficinas de Leitura
 

Aos alunos do 7.º Ano
 
Caros alunos,
 
este ano letivo vamos estudar a obra de Agustina Bessa-Luís, Dentes de Rato. Uma vez que a obra se encontra indisponível e a Biblioteca Escolar apenas dispõe de um exemplar, serão dinamizadas, sempre que possível, oficinas de leitura, visto que a leitura em grupo é um excelente meio de transformação, partilha e integração dos discentes. Estas oficinas de leitura permitirão não só desfrutar de agradáveis momentos, como também refletir sobre alguns temas do nosso quotidiano.
 
 

 Formar leitores é compromisso da família e da escola. Também deve fazer parte dos interesses de toda a comunidade, pois uma sociedade não letrada, ou mesmo formada por leitores funcionais, está fadada à condição de miséria e indignidade. Nunca a questão da formação de leitores foi tão discutida como nos dias atuais, até porque se entende que o desenvolvimento de uma nação depende do nível de cultura literária dos seus habitantes. Não existe país livre e desenvolvido sem investimentos na educação e na leitura.

 

(Cavalcanti, 2002: p.2)

Plano Nacional de Leitura




quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Dia Mundial para a erradicação da pobreza



Cáritas lança campanha de sensibilização para erradicação da pobreza

Lusa17 Out, 2012, 07:30

O presidente da Cáritas apela aos portugueses para que assumam uma posição mais relevante na luta contra a pobreza, no lançamento de uma campanha de sensibilização, no Dia Mundial para a Erradicação da Pobreza, que se assinala hoje.

"A Cáritas Portuguesa pretende que todas as pessoas repensem a sua atitude diária no que toca à sua postura em relação à luta pela erradicação da pobreza", defende Eugénio Sequeira.

Numa mensagem hoje divulgada, Eugénio Fonseca pede a todas as pessoas que "tomem conhecimento e se tornem mais ativas e participativas na discussão pública das políticas que visem acabar com a violência da pobreza extrema e promover a capacitação e construir a Paz`", tema sugerido pela ONU para a celebração deste dia.

"O primeiro passo, para erradicar a violência da pobreza, é conhecê-la em profundidade e difundir as estatísticas do atendimento da ação social, análogas às que são difundidas mensalmente pelo IEFP [Instituto de Emprego e Formação Profissional] sobre o desemprego e outras variáveis", segundo Eugénio Fonseca.

"Assinalar, este ano, o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, que é antecedido pelo Dia Mundial da Alimentação, redobra de sentido e torna-se um desafio mais exigente e clamoroso quando o empobrecimento de milhares de famílias portuguesas, que jamais julgariam cair nesta condição de penúria, levou muitas delas a ficarem privadas do acesso a tantos direitos, humanamente inalienáveis, como é o da alimentação", acrescenta.

Na mensagem de lançamento da campanha de sensibilização contra a pobreza, o Presidente da Cáritas defende também "o reconhecimento e capacitação de grupos de voluntariado social".

Segundo Eugénio Fonseca, o "reconhecimento e a capacitação" de mais de mil grupos de voluntários que existem no país, permitiria, sem acréscimo de despesa, um "acesso fácil aos serviços de ação social profissionalizados - públicos e particulares"

Outro passo determinante, na opinião do presidente, seria a "criação de condições de autonomia dos empobrecidos", através de iniciativas de desenvolvimento locais para a criação de emprego, que ajudassem, também, a resolver outros problemas sociais a partir da atividade de animadores locais, em regime de voluntariado.

"Esta dinâmica poderia constituir uma via invulgar de compromisso das populações locais na solução daqueles problemas", defende o presidente da Cáritas, lembrando que, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) de 2010, 18 por cento da população portuguesa já estava em risco de pobreza e que a situação se agravou com o agudizar da crise económica nos últimos dois anos.

A nível mundial, lembra, os níveis de pobreza extrema também são preocupantes, dado que 20% da população (1,2 mil milhões de pessoas) vive abaixo do limiar mínimo de pobreza, com menos de um dólar por dia, e há 850 milhões de pessoas com fome (todos os dias morrem cerca de 30 mil pessoas com fome).

Por tudo isto, Eugénio Fonseca apela a uma nova atitude e à mobilização dos portugueses neste Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza.

Contos Digitais de Autores Portugueses


Contos digitais de autores portugueses
O jornal Diário de Notícias iniciou hoje DN a publicação da coleção ”Contos Digitais de Autores Portugueses”, um conjunto de 31 histórias curtas em suporte ebook, de alguns dos mais conceituados autores portugueses da atualidade. O 1º título é A Musa Irrequieta de Pedro Paixão.
O projeto foi concebido pela ESCRIT’ORIO editora para o Diário de Notícias, que disponibiliza os 31 contos de forma gratuita, todas as quartas e sábados, através do seu site da Biblioteca Digital DN, que acaba de ser inaugurada com esta ação.
Esta iniciativa pretende fazer chegar ao maior número de leitores possível a escrita de alguns dos maiores autores portugueses, num formato que pouco espaço tem nos suportes e circuitos tradicionais: o Conto.
Basta inscreverem-se em http://www.dn.pt/Especiais/bibliotecadigital.aspx e fazer o download dos textos num dos três formatos disponíveis: epub, mobi e pdf. Os ebooks poderão ser lidos em tablets, ereaders, smartphones e PCs.
Os autores , por ordem de saída dos contos, são: Pedro Paixão | João Tordo | Rui Zink | Luísa Costa Gomes | Eduardo Madeira | Inês Pedrosa / Afonso Cruz | Gonçalo M. Tavares | Manuel Jorge Marmelo | Mário de Carvalho / Dulce Maria Cardoso | Pedro Mexia | Fernando Alvim | Possidónio Cachapa | David Machado | JP Simões | Rui Cardoso Martins | Nuno Markl | João Barreiros | Raquel Ochoa | João Bonifácio | David Soares | Pedro Santo | Onésimo Teotónio

domingo, 14 de outubro de 2012

Aos alunos do 8.º Ano


Aos alunos do 8.º Ano

 

Caros alunos,

este ano letivo vamos estudar alguns excertos da obra de José Saramago, O Conto da Ilha Desconhecida. Para aqueles que gostam de ler e fazem da leitura um meio para conhecerem melhor o mundo que os rodeia, a Biblioteca Escolar tem ao vosso dispor alguns exemplares desta obra.  

 

Sinopse d’o conto da ilha desconhecida


A leitura da obra O conto da ilha desconhecida de José Saramago, possui um texto curto, mas é suficiente para transportar o leitor para terras distantes e mundos de simplicidade mágica, onde transforma as palavras em imagens que suscitam diversas visões e associações à vivência do leitor, fazendo-o questionar as relações entre a ficção e a realidade. A busca de uma ilha que não consta em nenhum mapa, tem por trás do seu relato a maneira de como lidamos com o desconhecido, mostrando o retrato do ser humano, as suas condições, pensamentos e buscas.

  

Biobibliografia de José Saramago

 


José Saramago nasceu na aldeia ribatejana de Azinhaga, concelho de Golegã, no dia 16 de novembro de 1922 no seio de uma família de lavradores e artesãos. Os seus pais foram para Lisboa quando ele tinha dois anos de idade. Fez estudos secundários que não pode terminar por dificuldades económicas. Trabalhou em diversas áreas, foi serralheiro mecânico, editor, tradutor e jornalista. Foi membro do partido Comunista Português e sofreu censura e perseguição durante os anos da ditadura de Salazar.

Em 1947, publicou o seu primeiro livro, um romance: A Terra do Pecado, depois ficou sem publicar até 1966. Durante doze anos trabalhou numa editora, onde exerceu funções de direção literária e de produção, também colaborou como crítico literário na revista Seara Nova. Foi comentador político do jornal Diário de Lisboa e pertenceu à primeira direção da Associação Portuguesa de Escritores.

Desde 1976 vive exclusivamente do seu trabalho literário. Da poesia ao romance, passando pelo conto, crónica e teatro, é um dos autores portugueses contemporâneos mais conhecidos internacionalmente e já ganhou diversos prémios, incluindo o tão almejado Prémio Nobel da Literatura, em 1998.


Características da escrita de José Saramago

 Na história da literatura, são poucos os autores que conseguem criar um estilo próprio e diferenciado, transgredindo a linguagem de maneira que o seu texto seja identificado em qualquer contexto, José Saramago é um deles. A sua literatura tem o poder de nos confrontar com a nossa própria língua, de nos mostrar que apesar de tudo o que aprendemos formalmente sobre o nosso idioma, as suas possibilidades continua ilimitado nas mãos e mente de quem o sabe pensar. Ele usa a pontuação de uma maneira aparentemente incorreta aos olhos da maioria. Não utiliza travessões na marcação das falas dos personagens, os diálogos são inseridos nos próprios parágrafos que os antecedem e usa as vírgulas onde a maioria dos escritores usaria pontos finais. A sua marca passa a ser um estilo metafórico com coragem para o fantástico, uma arte de inventar histórias sem nunca esquecer a responsabilidade social do escritor, comprometido com a política do seu tempo, não vacila em abordar questões críticas sobre a sociedade dominante. A sua visão de mundo propõe uma reflexão aos seus leitores, tendo sempre a intenção de aproximá-los ao máximo da sua obra.

 

sexta-feira, 12 de outubro de 2012


 Dia Mundial da Alimentação

 
O Dia Mundial da Alimentação é celebrado no dia 16 de outubro de cada ano para comemorar a criação em 1945 da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). O objetivo do Dia Mundial da Alimentação é consciencializar o conjunto da humanidade sobre a difícil situação que enfrentam as pessoas que passam fome e estão desnutridas, e promover em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome. Todos os anos, mais de 150 países celebram este evento. Nos Estados Unidos, 450 organizações voluntárias nacionais e privadas patrocinam o Dia Mundial da Alimentação e em quase todas as comunidades existem grupos locais que participam ativamente. Durante o Dia Mundial da Alimentação, celebrado pela primeira vez em 1981, ressalta-se cada ano um tema em que se focalizam todas as atividades.

 

FAO define tema do Dia Mundial da Alimentação 2012


A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) divulgou o tema do Dia Mundial da Alimentação 2012: “Cooperativas agrícolas alimentam o mundo”. Todos os anos, o Dia Mundial da Alimentação é celebrado em 16 de outubro.

Trata-se de um chamamento aos países para a adoção de políticas, programas e ações voltadas para eliminar a fome no mundo e assegurar a segurança alimentar dos povos. “As cooperativas estão presentes em todos os países e setores, incluindo agricultura, alimentação, finanças, saúde, comercialização, seguros e crédito”, informa um comunicado da FAO. “Estima-se que as cooperativas tenham um bilhão de membros em todo o mundo, gerando mais de 100 milhões de empregos”, informa o comunicado. “Na agricultura, silvicultura, pesca e pecuária, os seus membros participam em atividades de produção, partilha de riscos e lucros, poupança de custos e geração de rendimento, que lhes proporcionam maior poder de negociação na hora de vender ou comprar no mercado”, afirma a FAO.

De acordo com a organização, o Dia Mundial da Alimentação 2012 destaca as cooperativas agrícolas e sua contribuição para a redução da pobreza e da fome. Afinal, do número aproximado de 925 milhões de pessoas que passam fome no mundo, 70% vivem em áreas rurais onde a agricultura é a principal atividade económica.

As cooperativas agrícolas e alimentares são já um importante instrumento contra a pobreza e a fome, mas podem fazer muito mais. É tempo de fortalecer essas organizações e facilitar a sua expansão, bem como criar um ambiente comercial, legal, político e social favorável em que se possam desenvolver.

domingo, 7 de outubro de 2012

A importância da Leitura



A importância da leitura

A prática da leitura torna-se presente nas nossas vidas desde o momento em que começamos a "compreender" o mundo à nossa volta. No constante desejo de decifrar e interpretar o sentido das coisas que nos cercam, de perceber o mundo sob diversas perspetivas, de relacionar a realidade ficcional com a que vivemos, no contacto com um livro, enfim, em todos estes casos estamos, de certa forma, lendo - embora, muitas vezes, não nos demos conta.

A atividade de leitura não corresponde a uma simples descodificação de símbolos, mas significa, de facto, interpretar e compreender o que se lê. Sem dúvida que a leitura precisa permitir que o leitor apreenda o sentido do texto, não podendo transformar-se em mera decifração de signos linguísticos sem a compreensão semântica dos mesmos.

Nesse processamento do texto, tornam-se imprescindíveis também alguns conhecimentos prévios do leitor: os linguísticos, que correspondem ao vocabulário e regras da língua e seu uso; os textuais, que englobam o conjunto de noções e conceitos sobre o texto; e os de mundo, que correspondem ao acervo pessoal do leitor. Numa leitura satisfatória, ou seja, na qual a compreensão do que se lê é alcançada, esses diversos tipos de conhecimento estão em interação. Logo, percebemos que a leitura é um processo interativo.

Quando citamos a necessidade do conhecimento prévio do mundo para a compreensão da leitura, podemos inferir o caráter subjetivo que essa atividade assume. Conforme afirma Leonardo Boff, cada um lê com os olhos que tem. E interpreta onde os pés pisam. Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender o que alguém lê, é necessário saber como são os seus olhos e qual é a sua visão do mundo.

A partir daí, podemos começar a refletir sobre o relacionamento do leitor-texto. Já dissemos que ler é, acima de tudo, compreender. Para que isso aconteça, além dos já referidos processamento cognitivo da leitura e conhecimentos prévios necessários a ela, é preciso que o leitor esteja comprometido com a sua leitura. Ele precisa manter um posicionamento crítico sobre o que lê e não, apenas, adotar uma atitude passiva relativamente ao que lê. Quando atende a essa necessidade, o leitor projeta-se no texto, levando para dentro dele toda sua vivência pessoal, com as suas emoções, expetativas, seus preconceitos etc. É por isso que consegue ser tocado pela leitura.

Dessa forma, o único limite para a amplidão da leitura é a imaginação do leitor; é ele mesmo quem constrói as imagens acerca do que está a ler. Por isso esta atividade revela-se extremamente frutífera e prazerosa. Por meio dela, além de adquirirmos mais conhecimentos e cultura - o que nos fornece maior capacidade de diálogo e nos prepara melhor para atingir as necessidades de um mercado de trabalho exigente -, experimentamos novas experiências, ao conhecermos mais do mundo em que vivemos e também sobre nós mesmos, já que ela nos leva à reflexão.

E refletir, sabemos, é o que permite ao homem abrir as portas da sua perceção. Quando movido por curiosidade, pelo desejo de crescer, o homem renova-se constantemente, tornando-se cada dia mais apto a estar no mundo, capaz de compreender até as entrelinhas daquilo que ouve e vê, do sistema em que está inserido. Assim, tem ampliada a sua visão do mundo e o seu horizonte de expetativas.

Desse modo, a leitura configura-se como um poderoso e essencial instrumento libertário para a sobrevivência do homem.

Há, todavia, uma condição para que a leitura seja de facto prazerosa e válida: o desejo do leitor. Como afirma Daniel Pennac, "o verbo ler não suporta o imperativo". Quando transformada em obrigação, a leitura resume-se a simples enfado. Para suscitar esse desejo e garantir o prazer da leitura, Pennac prescreve alguns direitos do leitor, como o de escolher o que quer ler, o de reler, o de ler em qualquer lugar, ou, até mesmo, o de não ler. Respeitados esses direitos, o leitor, da mesma forma, passa a respeitar e valorizar a leitura. Está criado, então, um vínculo indissociável. A leitura passa a ser um íman que atrai e prende o leitor, numa relação de amor da qual ele, por sua vez, não deseja desprender-se.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012


5 de outubro – Implantação da República

 


 

Comemora-se hoje, em Portugal, os 100 anos da Implantação da República.

Às 8 horas do dia 5 de outubro de 1910, José Relvas proclama a República nos Paços do Concelho (Câmara Municipal) em Lisboa. Portugal deixou de ser uma Monarquia, em que o chefe de estado era um Rei, e deu lugar a uma República.

A importância deste dia foi tal que se decidiu que essa data fosse um dia feriado.

O último rei foi D. Manuel II que partiu para Inglaterra com a restante família real, ficando aí a viver no exílio.

O primeiro presidente eleito foi Manuel de Arriaga. A implantação da República fez com que Portugal mudasse a sua bandeira e o seu hino para aqueles que temos atualmente e o nome da sua moeda para o escudo.

 

O Hino

 

“A PORTUGUESA”


Heróis do mar, nobre Povo,

Nação valente, imortal,

Levantai hoje de novo

O esplendor de Portugal!

Entre as brumas da memória,

Ó Pátria, sente-se a voz

Dos teus egrégios avós,

Que há de guiar-te à vitória!

Às armas, às armas!

Sobre a terra, sobre o mar,

Às armas, às armas!

Pela Pátria lutar

Contra os canhões marchar, marchar!

 

A Bandeira

 

 

A Bandeira Nacional está dividida em duas partes por uma linha vertical.

A primeira parte é verde e constitui 2/5 da bandeira.

A segunda parte é vermelha e constitui 3/5 da bandeira.

No centro da linha vertical encontra-se um escudo com 7 castelos e 5 quinas a azul.

À volta do escudo existe a esfera armilar a amarelo.

 


Simbologia

 

·         As 5 quinas simbolizam os 5 reis mouros derrotados por D. Afonso Henriques na batalha de Ourique.

·         Os 5 pontos brancos dentro de cada quina representam as 5 chagas de Cristo.

·         Os 7 castelos simbolizam as localidades fortificadas que D. Afonso Henriques conquistou aos Mouros.

·         A esfera armilar representa o mundo que os navegadores portugueses descobriram nos séculos XV e XVI e os povos com quem trocaram ideias e comércio.

·         O verde simboliza a esperança.

·         O vermelho simboliza a coragem e o sangue dos portugueses mortos em combate.

Autores da Bandeira Republicana: Columbano, João Chagas e Abel Botelho